Olhão nessa página

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A la movie...

Estivera aqui em algum momento... 
dizendo palavras ou escrevendo-as. 
Repetindo lâmpadas de ideias boas e ruins, 
gesticulando sinais, 
azucrinando com gritos ensurdecedores e no fim da tarde os sinos batem: São seis horas!
Tão redundante quanto esse amor que houvera...
“É apenas uma canção...” 
me disseste com a seriedade com que se deitas nos outros braços. Menospreza com tanta convicção tudo o que propus.
Ah, Você sabe que é minha razão de exceção, 
que me faz assistir uma nuvem cinzenta passar lentamente com a beleza de uma neve recém chegada.

Essas são poucas palavras, 
são as que não sabem te fazer bem, 
que não sabem te coagir a pensar o mesmo que eu. 
São como eu...

Ufania

Acalme-se, pequeno e doce fidalgo...
Esta noite pedira um pouco mais desse soneto insolente que azucrina os maus gostos enquanto sorris de longe me excitando e alterando meus sentidos desordeiros, inquietos em seu auge.
Como amo-te, senhorio, no meu pequeno tributo carregado de tuas imagens pensadas. Fiz-me mulher, adornei-me frutiferamente desejável, de campos abertos sem ingênuas palavras, fui pseudônimo Marie com sotaque francês... só pra espiar teu sorriso novamente pelos cantos que de tão longes, me escapava das vistas.
Essa madrugada pedira um pouco mais de calmaria e menos sobriedade.
Ah, garoto dos cabelos mutáveis, aprendi a escrever para te enviar cartas, desencantei com poesias para não pensar muito e escrever mais, como quem fala em prosa e denota símbolos obscenos e ao mesmo tempo romancistas.
A seguir teu corvo atravessará as ruas da Paris de seu nome, dos séculos anteriores, das putrefações que banhavam as alamedas não floridas, entregará o poder negável desse amor que tenta se corrigir, mas ainda estaremos há léguas desse desprezo que sabemos que há.

Sabe... hoje, silenciando nossos papéis, degusto dos teus lábios avantajados e tiro proveito do teu corpo que me provoca irritação por não saber se sempre será meu. Poetiza minha, das poucas palavras que jogastes no meu peito, te entrego tudo que do melhor houve, falei, queria ter podido estar e ser, mas o demônio que há em mim te confunde nas minhas muitas inverdades que das tuas hipérboles crio eufemismos.

Explicação partidária

Aprenda a cantar sem sua presunção pretenciosa, usufrua de sua voz desafinada e maliciosa. Desista de precisar de respostas, queres o romance detalhado e decifrado, quando o que mais se precisa é da vida ‘desroteirizada’ durante nossas corridas de desencontros.

Negue tudo o que vivera junto à mim, com esse mau-caráter impregnado nas suas roupas fora de moda. Inunde-se no seu próprio paladar de pratos visuais. Odeie-me com tudo o que puder porque dessa vez deixarei, em meio aos lacrimejados pesares desse fim, o que mais gostaria de ouvir, só que em público teatral.

Ouça os cantares agudos dos apitos para o toque de recolher e não despreze as ordens hierárquicas explorando ainda mais sua ufania dourada. Você ainda preferirá parar de andar com seus olhos de um lado para outro relendo palavras, falo das novas, pois as velhas estão espalhadas em inúmeros cofres do seu rancor, principalmente atrás de seus olhos.

Bem, não é muito como pensei à dizer, mas se algum dia pensares se me arrependo de tais palavras, te refuto e te culpo por invadir-me contra minha vontade e me isolo indulgenciado para teu desprazer.


São meus desafetos em votos, são minhas não razões, são meus contrários, são a minha ira por te ter só em indiretas e metáforas, não sabendo amar-te como um verdadeiro ator de romances, mas como um humano trivial e boêmio.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Velharia



Está faltando inspiração nesse momento, não está?

Caído sobre a cama, querendo estar sob. Quando criança, mais fácil de se caber.

Andamos no caminho de árvores afinadas, que palhetam o vento produzindo os melhores arranjos. São músicas ou são sensações passadas? Você costumava me afagar nesses momentos, mas está tentando sair da minha cabeça primeiro, de onde nunca deixará de ser ideia.

São dois pontos, dois métricos pontos agudos ou... nada!

Confuso como o derramar de bebidas heterogêneas num mesmo recipiente, você se envolveu no meu corpo e pretendeu ficar comigo, em mim. Agora somos amores, agora somos nós em momentos distintos.

E as fotos, pessoa? E as fotos pessoais? E as fotos de pessoas e sem pessoas?

As memórias se fragmentam em perder o viver do momento para gravar, não mais na fotografia da lembrança, mas na imagem copiada. Ainda lembramos do vento? Lembramos do cheiro? Da música que tocava quando respirávamos aquele ar daquele dia que já deve estar bem longe no tempo?

Eu já nem conheço tantas músicas assim, prefiro inventar ao cantar para minha filha cantigas de ninar, de roda e de amores fraternos.

Seu diário empoeirou, sua memória superlotou, seu dia findou. Se chegue mais perto, estaremos ouvindo a mesma pisada forte na madeira do chão e de mãos dadas, olharemos o tempo se fechar com a chuva que se apresenta na temperatura que diminui.

Algumas idéias lembradas



Eu lembro que estaremos sentados no fim de tarde...
São os planos, os mesmos que acabaram conosco quando nos dividiram ao crescer nessa paródia que catalogamos como vida.
Vendemos nosso almoço porque pretendíamos continuar bêbados nesse dia quente, apenas mais uma opção coerente com o fato de uma despedida prolongada com trajetos refeitos.
Alugamos algumas almas, sentados deslizamos nossos pés na película daquela água suja e pensamos no começo de tudo, caímos num riso infinito e molhamos nossas faces para esconder a emoção nos respingos que adornaram nossas expressões... de alguns alguéns tonteados e mal cheirosos de tabaco.
Caia nessa vida de peito, meu caro, mande um abraço para o deus Baco, me diga o horário da festa que surtiremos o efeito mais eficaz, o mesmo de sempre em lugares, com pessoas diferentes.
Eu lembrei que sentaremos onde estamos no fim da noite...
Me diga, com uma mão na viola e a outra com um copo de cachaça e um mentolado entre os dedos, que se passar muito tempo, voltaremos ao início do porre onde ainda conseguimos lembrar vagamente.
Sabe, velho, hoje eu lembrarei que no ontem pela manhã estávamos sentados num quiosque qualquer medindo a hora com o claridão do sol que se aproximava do balcão: Acho que já é hora de ir, de dormir, pois a noite poderemos nos deparar com mais um round desses.
Um abraço te deixo, dispenso as imoralidades que se propagam da tua boca, de praxe e te digo que não sobrou mais nenhum cigarro depois de tudo isso. Amanhã(depois de dormir) pensaremos num outro propósito ou desculpa para mais um maço.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Vírgula e ponto



Sabe, Sr. Robby, de quando, nos tempos antigos, éramos, e ainda somos, desde sonhos, piratas?
Cabíamos, tão pequenos e magros, nas caixas, fedidas de supermercado, que achávamos, quando a sorte nos abraçava, e remávamos, às vezes, pelos ventos, nas aventuras, imitadas, inspiradas em Tom Sawyer.
Vida digna, amigo imaginário, que, por ironia da opção, me deu vontade de criar-te.
Cada vírgula, sem interrupções, me lembra, vagamente, tua fala ofegante, sem pausas, pois falo por nós, espantosamente, quando dialogamos, em público ou em casa, rotinas diversas.
Agora, antes de dormir, te peço, por obséquio, que durma um pouco. Duas mentes, reza o ditado, pensam melhor, quando não há contradição, que uma e, muito mais cansativo, me esfola , esforçadamente, as feridas mentais quando penso, sem sons, nos nossos di-monólogos.
Agora, Sr. R., deixe-me, enquanto te cansas, dormir um pouco, no cedo da madrugada, que me proponho um dia, nublado, esperançoso e, sem mais delongas, sem mais delongas, finalizar este papel de protagonista maluco, enquanto você, em relação à mim, fica com o ponto seguida e, de mão beijada, me deixa esparramado a reticências...

Dez amores


Já estão tão repetidos, não?
Remendados com chances desemburacadas dos rancores que se vestiram de afagos no seu melhor dia. Como fardas militares pós guerra, relutaram para parecer tão surradas e tão cansadas dessa luta que já dura... sei lá_Uma meia vida!
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Faz-se tanto esforço para provar que tudo deveria se desgastar como numa sonoplastia mal equalizada, nos sopra um vento(Tsc) tão onomatopeico que já dizia que nos disse “Eu te disse”.
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Amorzinho... Já era tempo de nos darmos conta que somos nós que nos desprendemos com tantos palavreados sofisticados que perdemos conta de quantas noites deslizaram por nossas bocas refutando gritarias que se confrontavam em ufania e táticas psíquicas.
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Alguém deveria ter dito, enquanto imaginávamos durante o inverno de cinzas do fogaréu que queimou a minha alma manjada, que “juntos somos nós. Sós não somos não”.
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A sua voz soa desacreditada em sabe lá onde, com seu ar de bondade forjada no aço que te adorna. Brilhosa você escorrega pelas linhas telefônicas me dizendo o que gostaria que todos soubessem. Me deixa embrulhar nessa tua pele e degustar um pouco dessa tua vida, aderir você como meu pseudônimo preferido que hoje, ma belle, estou de saída para minha angústia diária.
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E mais uma vez costuramos o amoreco repetido, juntamos cada fragmento que se empoeirou nesses tempos todos. Mas perdi a linha de onde começou, qual amor é. São tantos adjetivos que substituíram os nomes próprios que desonrei meu tempo pra mim. Agora, sentado à estrada dos outros, finjo que escorrego e durmo nesse gramado mais verde que o meu e sonho com uma vida de proveito da minha solitária e prazerosa vida que sobrei-me.