No palco que desenhei pra você, está perfeita no seu declamar, rindo por dentro pra tentar despistar o desespero de muito público_Eu entendo!
Pense na nossa música, aquela que eu nunca lembro. Respire fundo, finja estar solando um instrumento que você não sabe tocar. Finja ser tão dura quanto eu, mostrando meu lado "I don't care!" e jogando-o para todos os lados_ o lado A e o lado B da minha vida.
Dentro da cúpula que você se enfiou, não penso na sua saída, penso no seu despertar dessa asfixia, porque eu não gostaria que sobrevivesse desse sonho... porque só assim seus sonhos morreriam e você passaria a viver no que eu estou acostumado a te falar. Agora me debruçando com qualquer um(a), eu leio, meio tonto de sono, suas reclamações e seus julgamentos triviais, dos quais fumei dois, três cigarros até te dizer que não sabia o que caluniava. Mais alguns parágrafos acima eu leio o seu pedido para o passado, agora eu não sei o que falar ou o que te rebater os insultos.
Eu senti o cheiro da chuva chegando, como se estivesse no meio do mato caçando algo divertido pra explorar, estou mudando de assunto e de inspiração constantemente, pois quero que você perceba o quanto eu oscilo ocioso por estar bêbado e cheirando a cigarro dos outros.
O mundo parece ter criado um limite com tantos dizeres sobre seu fim, eu gostaria de destacar a consumação, a forma enlouquecida como convencia meu instinto a se entregar, como eu adorava tocar seus pequenos seios, imaginar a hora de beijar seu sexo, de terminar depois de bastante tempo_o que era difícil_ depois, estar excitado mentalmente, tentar dormir ao seu lado sem me mexer. Todos sabem o quanto eu não estava ali, perto daqui, em meio ao devaneio mais perverso que você montou na rua do meu inferno.
Sem fundamentos, sem instigações, sem mais palavreados, eu viajo ao seu lado, ou imagino você de pé, no seu pódio dourado tentando declamar tudo de melhor que você tem...