...foi aquele melhor sorriso, as moscas zumbiam ao ouvido,atrapalhavam a concentração, aceleravam o piscar dos olhos,
adiavam o charme.
Era velha, tinha pra lá de seus sessenta e poucos anos,
mas ainda sorria, como se aquele entulho fosse valioso,
talvez fosse, como na 'ilha das flores'.
Não-afortunada de tradições, religião, costumes irritantes...
...escolaridade, educação, higiene, boa alimentação,
e da sua boca com poucos dentes, estragados por sinal,
eu ouvia seus respirar, não ofegante e não desesperador,
mas como homem eu me penalizei, sabia que ia passar a sensação,
mas odiei olhar, tomei dores que não existiam,
criei o gritar que poderia sair de dentro dela,
a velha olhava minhas roupas limpas e com cores vivas,
e continuava longe, porque eu correria se ela chegasse perto.
Eu contaria a várias pessoas como se fosse melhor que eles por destacar o problema,
como os que eu tinha de matemática_sem solução!
Catou os restos em putrefação, não cheirou como mamãe fazia,
jogou na sacola úmida que achara na lama ali perto,
não saudou nenhum deus porque não tivera oportunidade de conhecê-lo
e assim, blasfemar até seus últimos poucos anos que talvez tivesse.
Ajoelhou perto do primeiro buraco e azucrinou-me com a voracidade de sua fome,
não olhou-me mais, mas senti que era como um animal que não gostaria de incômodo.
Entalou com qualquer porcaria! Teve convulsões como de qualquer um,
murmurou com olhos virados, defecou no próprio pano que lhe cobria,
torceu a língua e lá estava a velha...
...com seus sessenta e poucos anos, sem o sorriso no rosto, com uma alma,
tão ingênua de burocracia, mas estava no paraíso,
no túmulo, serviria de alimento ao que alimentou-a...
