Olhão nessa página

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Espíritos Magros...

Em frestas de paredes rebocadas,
casas amadeiradas,
portas semi abertas e janelas basculantes...
Pairam levemente,
sem quaisquer escombros,
nos chãos se espalham em partículas dissolventes como fuligens,
só que invisíveis.
Você me ligou hoje,
meio desesperada, deixou muda a ligação sem dizer seu nome,
seu espírito entrou na minha vida, tão magro,
que em vácuo,
se esvaiu via palavras.
"É verdade?" me disse em riso choroso.
Passou por meus dedos,
se esconderam em meu único armário.
Criaram um abrigo na minha mente,
me assombraram balançando minhas folhas dos textos que pensaram em você espalhados pelo chão do quarto.
Passaram pelo claro,
evoluem a cada medo trivial.
Acalme-se,
junte-se ao público que assiste esse medo.
São só espíritos e não mais que isso.
Alimente-se com seu leve desespero de estarem querendo atrair atenção e morrerem pós morte.
Remonte esses seus pedaços e reconstrua-se antes que mais algum imprevisto aconteça e nos destrua interesseiramente.

Certezas e exclamações.

Ele está demorando a chegar.
Ou será que se perdeu?
Ou será que não me deseja mais?
Ou será que morreu no caminho?
Ou será que está descontando o que fiz anos atrás?
Ou... Ah! Ele chegou!
***
Ele não está puxando muito assunto.
Ou será que falei algo inconveniente?
Ou estou com mau hálito?
Ou ele tem algo muito sério pra falar e está esperando o momento certo?
Ou... Ufa! Ele perguntou como estou!
***
Ele está comendo rápido.
Ou será que quer se matar engasgado?
Ou quer ir logo embora?
Ou precisa encontrar a outra?
Ou eu sou a outra e a titular ligou?
Nossa... ele pediu outro prato!
***
Ou eu termino ou ele?
Ou eu levanto e vou?
Ele se engasgou!
Não vou ajudá-lo?
E se as pessoas imaginarem que quero que ele fique roxo no chão?
É verdade, mas e se eu for tida como cúmplice?
Ele morreu.
E seu eu não chorar.
E se eu for embora?
A ambulância já o levou.
Agora posso ir pra casa sem pensar paranoicamente...