Olhão nessa página

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Velório de moscas

Os programas da madrugada não agradam tanto quanto antigamente, a imagem da lâmpada da sala é refletida pela tv e estou deitado no sofá, pensando no vago que sempre deixam nesses meios tempos...
Eu fiquei a semana toda ouvindo vinis, inventando poses, criando afazeres. Onde estão meus amigos? Uma ex namorada ligou dizendo bobeiras e eu a chamei pra sair, precisava me usar!
Quando não se consegue mais forjar amigos, tentamos esperançar a volta de um deles ao invés de servir como provisório, ter disponibilidade em quaisquer horários, um deles vem na próxima semana... eu acho!

Quatro paredes

Meu pai costuma virar o rosto, não olhar o problema, não nos deixar a par do que há, não expressar seu desgosto por cada idiotice que cometo, de chorar sozinho pelo filho num rumo consequente.
Minha mãe fica sentada esperando a hora que Jesus vem, desprezando os filhos ateus e hereges. Entrega tudo ao ser superior, não conversa o que deveria, se limita no que lhe convém, não sabe o que fazer quando perde o controle.
Meu irmão costuma fazer coisas erradas, não nos falamos, vive fora de casa, aparece depois de dias como se nada tivesse acontecido, prefere a vida bohemia a algo com mais perspectiva.
Minha irmã se tranca no quarto o dia todo, não faz deveres caseiros obrigatórios, sai da aula e fica perambulando, vive mandando mensagens, não define sua opção sexual, tem o mesmo egoísmo e arrogância que sua genética permitiu.
Meu sobrinho fica o dia todo preocupado, sai de casa atrasado pra aula, ta entrando no mal caminho e ninguém pode fazer nada, é a fase que precisa viver.
Eu vivo tentando manter o controle, não entrar em colapso por não ter ninguém como apoio, tento não ceder ao complexo de inferioridade, arranho os braços de vez em quando, nunca choro e pouco ligo para a morte.
Vez ou outra sentamos na mesa em silêncio, agradecemos cada um a algum deus ou a nenhum. Comemos e cada um volta ao seu habitat, mas se você olhar bem, essa não é minha família, é a nossa família!! A que mostra o defeito de cada um e é com isso que crescemos e sabemos o que fazer, porque as vezes o defeito fica superior ao que realmente é importante, mas com isso dá pra conviver...