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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Quatro paredes

Meu pai costuma virar o rosto, não olhar o problema, não nos deixar a par do que há, não expressar seu desgosto por cada idiotice que cometo, de chorar sozinho pelo filho num rumo consequente.
Minha mãe fica sentada esperando a hora que Jesus vem, desprezando os filhos ateus e hereges. Entrega tudo ao ser superior, não conversa o que deveria, se limita no que lhe convém, não sabe o que fazer quando perde o controle.
Meu irmão costuma fazer coisas erradas, não nos falamos, vive fora de casa, aparece depois de dias como se nada tivesse acontecido, prefere a vida bohemia a algo com mais perspectiva.
Minha irmã se tranca no quarto o dia todo, não faz deveres caseiros obrigatórios, sai da aula e fica perambulando, vive mandando mensagens, não define sua opção sexual, tem o mesmo egoísmo e arrogância que sua genética permitiu.
Meu sobrinho fica o dia todo preocupado, sai de casa atrasado pra aula, ta entrando no mal caminho e ninguém pode fazer nada, é a fase que precisa viver.
Eu vivo tentando manter o controle, não entrar em colapso por não ter ninguém como apoio, tento não ceder ao complexo de inferioridade, arranho os braços de vez em quando, nunca choro e pouco ligo para a morte.
Vez ou outra sentamos na mesa em silêncio, agradecemos cada um a algum deus ou a nenhum. Comemos e cada um volta ao seu habitat, mas se você olhar bem, essa não é minha família, é a nossa família!! A que mostra o defeito de cada um e é com isso que crescemos e sabemos o que fazer, porque as vezes o defeito fica superior ao que realmente é importante, mas com isso dá pra conviver...

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