Eu te disse que era somente mais uma forma de azar mútuo,
acabamos no lixo de anúncios de jornal,
todos diziam que seria assim, tão previsível.
Você ainda grita e me diz "ma... ma... ma..."
até que eu interrompo sua tentativa de justificar alguma coisa,
tão nervosa quanto a tempestade que chega na madrugada
e se despede na neblina densa da 'manhãdrugada'.
Ah, pessoas que se ajudam entre si, são tão isso,
fugindo da realidade que deita e assiste os discursos iguais,
os mesmos que nos desanimaram durantes todos esses longos minutos,
mas você ainda insiste em ouvir os argumentos
e me olha como se eu sentisse pena,
mas assim como ouvir que as pessoas são singulares,
meu comportamento, também repetitivo, permanece frio,
e eu desanuvio meus pés na cerâmica fria da sala,
seguro o vento na minha barriga, que gela meus pelos encaracolados.
A partir de quando eu gostei desse som que você soa quando reclama,
você, toda suja de lantejoulas da roupa que voltou da noite, vai desistir,
sentar à beira cama, meio escuro, e vai escrever alguma coisa na mente
enquanto a coragem tenta descansar um pouco, afinal, ao final disso tudo, ainda não choveu o suficiente no meu quintal de terra batida.
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