Olhão nessa página

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Seco

Eu te disse que era somente mais uma forma de azar mútuo,
acabamos no lixo de anúncios de jornal,
todos diziam que seria assim, tão previsível.
Você ainda grita e me diz "ma... ma... ma..."
até que eu interrompo sua tentativa de justificar alguma coisa,
tão nervosa quanto a tempestade que chega na madrugada
e se despede na neblina densa da 'manhãdrugada'.
Ah, pessoas que se ajudam entre si, são tão isso, 
fugindo da realidade que deita e assiste os discursos iguais,
os mesmos que nos desanimaram durantes todos esses longos minutos,
mas você ainda insiste em ouvir os argumentos 
e me olha como se eu sentisse pena,
mas assim como ouvir que as pessoas são singulares,
meu comportamento, também repetitivo, permanece frio,
e eu desanuvio meus pés na cerâmica fria da sala,
seguro o vento na minha barriga, que gela meus pelos encaracolados.
A partir de quando eu gostei desse som que você soa quando reclama,
você, toda suja de lantejoulas da roupa que voltou da noite, vai desistir,
sentar à beira cama, meio escuro, e vai escrever alguma coisa na mente
enquanto a coragem tenta descansar um pouco, afinal, ao final  disso tudo, ainda não choveu o suficiente no meu quintal de terra batida.

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