Olhão nessa página

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Vírgula e ponto



Sabe, Sr. Robby, de quando, nos tempos antigos, éramos, e ainda somos, desde sonhos, piratas?
Cabíamos, tão pequenos e magros, nas caixas, fedidas de supermercado, que achávamos, quando a sorte nos abraçava, e remávamos, às vezes, pelos ventos, nas aventuras, imitadas, inspiradas em Tom Sawyer.
Vida digna, amigo imaginário, que, por ironia da opção, me deu vontade de criar-te.
Cada vírgula, sem interrupções, me lembra, vagamente, tua fala ofegante, sem pausas, pois falo por nós, espantosamente, quando dialogamos, em público ou em casa, rotinas diversas.
Agora, antes de dormir, te peço, por obséquio, que durma um pouco. Duas mentes, reza o ditado, pensam melhor, quando não há contradição, que uma e, muito mais cansativo, me esfola , esforçadamente, as feridas mentais quando penso, sem sons, nos nossos di-monólogos.
Agora, Sr. R., deixe-me, enquanto te cansas, dormir um pouco, no cedo da madrugada, que me proponho um dia, nublado, esperançoso e, sem mais delongas, sem mais delongas, finalizar este papel de protagonista maluco, enquanto você, em relação à mim, fica com o ponto seguida e, de mão beijada, me deixa esparramado a reticências...

Dez amores


Já estão tão repetidos, não?
Remendados com chances desemburacadas dos rancores que se vestiram de afagos no seu melhor dia. Como fardas militares pós guerra, relutaram para parecer tão surradas e tão cansadas dessa luta que já dura... sei lá_Uma meia vida!
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Faz-se tanto esforço para provar que tudo deveria se desgastar como numa sonoplastia mal equalizada, nos sopra um vento(Tsc) tão onomatopeico que já dizia que nos disse “Eu te disse”.
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Amorzinho... Já era tempo de nos darmos conta que somos nós que nos desprendemos com tantos palavreados sofisticados que perdemos conta de quantas noites deslizaram por nossas bocas refutando gritarias que se confrontavam em ufania e táticas psíquicas.
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Alguém deveria ter dito, enquanto imaginávamos durante o inverno de cinzas do fogaréu que queimou a minha alma manjada, que “juntos somos nós. Sós não somos não”.
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A sua voz soa desacreditada em sabe lá onde, com seu ar de bondade forjada no aço que te adorna. Brilhosa você escorrega pelas linhas telefônicas me dizendo o que gostaria que todos soubessem. Me deixa embrulhar nessa tua pele e degustar um pouco dessa tua vida, aderir você como meu pseudônimo preferido que hoje, ma belle, estou de saída para minha angústia diária.
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E mais uma vez costuramos o amoreco repetido, juntamos cada fragmento que se empoeirou nesses tempos todos. Mas perdi a linha de onde começou, qual amor é. São tantos adjetivos que substituíram os nomes próprios que desonrei meu tempo pra mim. Agora, sentado à estrada dos outros, finjo que escorrego e durmo nesse gramado mais verde que o meu e sonho com uma vida de proveito da minha solitária e prazerosa vida que sobrei-me.