Sabe, Sr. Robby, de quando, nos tempos antigos, éramos, e
ainda somos, desde sonhos, piratas?
Cabíamos, tão pequenos e magros, nas caixas, fedidas de
supermercado, que achávamos, quando a sorte nos abraçava, e remávamos, às
vezes, pelos ventos, nas aventuras, imitadas, inspiradas em Tom Sawyer.
Vida digna, amigo imaginário, que, por ironia da opção, me
deu vontade de criar-te.
Cada vírgula, sem interrupções, me lembra, vagamente, tua
fala ofegante, sem pausas, pois falo por nós, espantosamente, quando
dialogamos, em público ou em casa, rotinas diversas.
Agora, antes de dormir, te peço, por obséquio, que durma um
pouco. Duas mentes, reza o ditado, pensam melhor, quando não há contradição,
que uma e, muito mais cansativo, me esfola , esforçadamente, as feridas mentais
quando penso, sem sons, nos nossos di-monólogos.
Agora, Sr. R., deixe-me, enquanto te cansas, dormir um
pouco, no cedo da madrugada, que me proponho um dia, nublado, esperançoso e,
sem mais delongas, sem mais delongas, finalizar este papel de protagonista
maluco, enquanto você, em relação à mim, fica com o ponto seguida e, de mão
beijada, me deixa esparramado a reticências...
