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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Vírgula e ponto



Sabe, Sr. Robby, de quando, nos tempos antigos, éramos, e ainda somos, desde sonhos, piratas?
Cabíamos, tão pequenos e magros, nas caixas, fedidas de supermercado, que achávamos, quando a sorte nos abraçava, e remávamos, às vezes, pelos ventos, nas aventuras, imitadas, inspiradas em Tom Sawyer.
Vida digna, amigo imaginário, que, por ironia da opção, me deu vontade de criar-te.
Cada vírgula, sem interrupções, me lembra, vagamente, tua fala ofegante, sem pausas, pois falo por nós, espantosamente, quando dialogamos, em público ou em casa, rotinas diversas.
Agora, antes de dormir, te peço, por obséquio, que durma um pouco. Duas mentes, reza o ditado, pensam melhor, quando não há contradição, que uma e, muito mais cansativo, me esfola , esforçadamente, as feridas mentais quando penso, sem sons, nos nossos di-monólogos.
Agora, Sr. R., deixe-me, enquanto te cansas, dormir um pouco, no cedo da madrugada, que me proponho um dia, nublado, esperançoso e, sem mais delongas, sem mais delongas, finalizar este papel de protagonista maluco, enquanto você, em relação à mim, fica com o ponto seguida e, de mão beijada, me deixa esparramado a reticências...

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