Olhão nessa página

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Ufania

Acalme-se, pequeno e doce fidalgo...
Esta noite pedira um pouco mais desse soneto insolente que azucrina os maus gostos enquanto sorris de longe me excitando e alterando meus sentidos desordeiros, inquietos em seu auge.
Como amo-te, senhorio, no meu pequeno tributo carregado de tuas imagens pensadas. Fiz-me mulher, adornei-me frutiferamente desejável, de campos abertos sem ingênuas palavras, fui pseudônimo Marie com sotaque francês... só pra espiar teu sorriso novamente pelos cantos que de tão longes, me escapava das vistas.
Essa madrugada pedira um pouco mais de calmaria e menos sobriedade.
Ah, garoto dos cabelos mutáveis, aprendi a escrever para te enviar cartas, desencantei com poesias para não pensar muito e escrever mais, como quem fala em prosa e denota símbolos obscenos e ao mesmo tempo romancistas.
A seguir teu corvo atravessará as ruas da Paris de seu nome, dos séculos anteriores, das putrefações que banhavam as alamedas não floridas, entregará o poder negável desse amor que tenta se corrigir, mas ainda estaremos há léguas desse desprezo que sabemos que há.

Sabe... hoje, silenciando nossos papéis, degusto dos teus lábios avantajados e tiro proveito do teu corpo que me provoca irritação por não saber se sempre será meu. Poetiza minha, das poucas palavras que jogastes no meu peito, te entrego tudo que do melhor houve, falei, queria ter podido estar e ser, mas o demônio que há em mim te confunde nas minhas muitas inverdades que das tuas hipérboles crio eufemismos.

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