Olhão nessa página

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Velharia



Está faltando inspiração nesse momento, não está?

Caído sobre a cama, querendo estar sob. Quando criança, mais fácil de se caber.

Andamos no caminho de árvores afinadas, que palhetam o vento produzindo os melhores arranjos. São músicas ou são sensações passadas? Você costumava me afagar nesses momentos, mas está tentando sair da minha cabeça primeiro, de onde nunca deixará de ser ideia.

São dois pontos, dois métricos pontos agudos ou... nada!

Confuso como o derramar de bebidas heterogêneas num mesmo recipiente, você se envolveu no meu corpo e pretendeu ficar comigo, em mim. Agora somos amores, agora somos nós em momentos distintos.

E as fotos, pessoa? E as fotos pessoais? E as fotos de pessoas e sem pessoas?

As memórias se fragmentam em perder o viver do momento para gravar, não mais na fotografia da lembrança, mas na imagem copiada. Ainda lembramos do vento? Lembramos do cheiro? Da música que tocava quando respirávamos aquele ar daquele dia que já deve estar bem longe no tempo?

Eu já nem conheço tantas músicas assim, prefiro inventar ao cantar para minha filha cantigas de ninar, de roda e de amores fraternos.

Seu diário empoeirou, sua memória superlotou, seu dia findou. Se chegue mais perto, estaremos ouvindo a mesma pisada forte na madeira do chão e de mãos dadas, olharemos o tempo se fechar com a chuva que se apresenta na temperatura que diminui.

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