Olhão nessa página

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Adupé-lewô-olorun


Ele fumava dois ou três maços de cigarro forte por dia,
bebia desesperadamente a bebida nordestina_da mais pura,
Esperava todos os dias às 18hs algo se manifestar,
não que fosse de seu gosto, mas que direito sobre si tinha?
Duas ruas se cruzavam, era meia noite e o espírito teimava,
zombava dos que tinham medo, mesmo sem acreditar,
num dos lados havia sangue que seguia até seus pés,
cercado de velas, flores exóticas, nada a temer,
os deuses estão olhando por nós...
Batuque, potes com detritos, nada de sacrifícios,
alguma coisa faltou, a fé de alguém está abalada essa noite!!
O homem do bar, meio tonto derrubou seu copo,
em algum outro lugar um cigarro apagou, as luzes oscilavam,
passos cessavam, crianças dormiam, e a mata dançava ao vento,
mexia com brutalidade e uma tempestade chegava...
Os olhos virados, pés curvos, mãos que definiam e ninguém soltava comentários:
antes fosse respeito.
Os primeiros giros foram dados, os dedos estalam e sensações ultrapassam,
a mente está frágil, o corpo padece e um silêncio desesperador sai dos olhares piscantes...
Manhã! Sono... nada houve pra você ou pra qualquer um...
Todos viram seus rostos e vivem o dia porque não temem a claridade!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

“ Ecce Homo” _ Século XX


Guerrilheiro. Prisioneiro.

Operário com bandeira

De liberdade.

Jazz. Jeans. Luz e som

Jovem em busca

de identidade.

Trabalho. Capital. Produção.

Alienação para

conseguir estabilidade

Amor. Paixão. Sexo na cama,

No teatro e na mente

Produzindo impotência.

Marxismo. Psicanálise. Pacifismo

Produzindo violência.

Angústia. Solidão. Carência

Suicídio com a televisão,

Fuga com espaçonave,

Defesa com ideologia,

Ilusão com adição,

Apelo à agressão:

“Ecce Homo” _ século XX...

não sabe para onde ir

se para os abismos do céu

se para o abismo de si;

não sabe a que aderir

se à guerrilha ideológica

se à guerrilha psicológica;

apátrida _ ideologizado,

órfão de pai _ psicanalizado,

órfão de Deus _ intelectualizado.

Não sabe qual

o sentido da flor,

não sabe qual

o sentido do amor,

não sabe qual

o sentido da dor,

com traumatismo de ser

perdeu conta do seu ser!

“Ecce Homo” _ Século XX!



Retirado do livro Logoterapia-a psicologia do sentido da vida

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Alguma dúvida?


No caminho longe, de pedras pontiagudas,
normalmente olhava para cima...
Via as nuvens macias e imaginava seu reino,
a imaginação seminua, com o poder de estabilizar.
Criou os melhores amores em meio ao confuso,
definiu a arte em campos de trigo, ao vento da tarde eu acreditei,
o céu riscado com azuis...
Sorrisos perfeitos, cabelos ao vendo, mãos úmidas ao chão,
esse é teu lugar, essa é tua vida, essa é a tua vez!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Cigana Álice


Onde moras, menina?
Dançando como quem não exige muito do mundo,
você olhou para os vários amores, escolheu a dedo todos eles,
descartou o limite e caiu em seu sonho.
Fui teu chapeleiro, fui teu cavaleiro de capa preta,
fui teu quasímodo e ainda sim, te perdia nos teus pseudónimos...
Eu odiava quando dizia "adeus" e batia em minha porta dez minutos depois,
amava quando sentia saudades no dia seguinte...
Meu humor foi detonado por suas retóricas frases.
Bem, não se descobriu hoje, me descobrirá ontem,
me conheceu amanhã... e hoje eu fui o que você vai querer!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Colônia municipal


Batucada na praça, negros e miscigenados rodopiando,
girando em si e girando na fogueira.
Agora entra na porta onde chove sorte,
aquele que atirou a primeira e a última pedra.
macumba!!" disse o infeliz, e nada mais inteligente
que uma onda de risadas verdadeiras.
Era noite... noite de encruzilhada na Fleet Street,
onde o barbeiro de Sevilha havia trabalhado...
O devaneio acabou, meu saudosismo desintegrou,
era apenas o folclore de uma cidade pequena onde eu estava bebendo...

domingo, 17 de abril de 2011

Vão do Tempo...



Poder invisível
Indizível

Intangível
Imponder
ável

Num espaço

Demarcado pela mente

Que pergunta e responde

Num duelo constante

Da mente que mente

Engendrando o que sinto

O que pressinto

O que vejo

O que revejo

O que é

O que parece ser

Sigo assim

Flutuando atônita

Tentando dissipar o medo, e desvendar mistérios

Na mais perene dúvida

Procurando por respostas....



Wanda Monteiro

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Onde esteve?!


Da forma mais satírica o ser tenebroso caiu aos pés,
mas são os MEUS pés, o rei do nada, o que quis ser o que ninguém quis_nada!!
Ouvindo Showbiz num volume desagradável, a distorção do som era lamentável,
bem, talvez seus sonos fossem forçados demais...
Vê sites pornográficos sem dificuldade, pois em seu navegador
estão seus preferidos na opção 'favoritos'.
Ouve 5 únicas músicas, canta apenas as duas primeiras e não fala com ninguém,
é o mais engraçado dos filhos por ser filho único,
faz piadas irritantes e atinge seu limite_é hora de pregar a desordem!
Usa a mesma roupa por dias,
toma poucos banhos numa cidade de temperatura alta,
força choro no luto de pessoas próximas,
conversa com desconhecidos num chat de outro país,
conversa sobre a complexibilidade mundana
onde desconsidera o deus cristão...
Bem, e ainda ele é o estranho!!
Porque seus aminimigos influenciam a matar,
roubar, cometer adultério, criar o mal em palavras,
protestar contra o certo...
Bem, matem-no, crucifiquem-no, queimem-no porque ele merece!!