Olhão nessa página

terça-feira, 19 de outubro de 2021

E na rádio: Good times.


 Ouvi dizer que nos perdemos na juventude_a pior idade!

Algum velho amargurado deve ter iniciado esse boato,

porque envelhecer é cansativo, ser chamado de adulto deveria ser um tabu,

pra que a gente não tentasse tocar nesse assunto.

A verdade é que o sentimento mais impulsivo e gostoso é aquele irresponsável,

dos velhos bons tempos, das inúmeras relações pessoais sem interesse.

E era assim...

Um livro, dois, pés descalços, irreverência com os horários,

amores pelas pequenas coisas, mesmo num quarto trancado.

Me confirmaram o saudosismo como se fosse algo ruim,

mas eu só queria de volta o que foi fielmente fácil da vida: um viver ao sol, mesmo ao meio dia.

Mas envelhecemos e eu perdi tudo aquilo,

sem querer, sem refutar, sem entender. Mas eu perdi e não queria ter perdido.

Que chuvas caiam incessantemente, que filmes passem na tv, que músicas toquem,

que briguemos, que fiquemos acordados a noite toda, que seja como antes.

Só uma vez, que a preocupação não seja meu carma dessa noite, 

que possamos nos sentar sob uma calçada e solidar como só lidamos.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Argh, o amor!



 Que se queira amor,

não meia boca, não de fachada, não inflexível, 

mas o amor avassalador, doloroso, com beijos massageadores,

com mensagens o dia todo, com beijos que parecem despedidas

e abraços que parecem de saudades seculares.

Que se queira amor,

não de meia noite, não de mensagens poucas, não de ligações esporádicas

ou nenhum grito.

Que se queira amor, 

por seu amor, não pouco, não gratuito,

mas conquistado, quisto, desejado, construído ou reconstruído,

mas que se queira amor... por favor.

Amanhã sairei e passarei alguns dias fora


 O chão úmido e gelado parece bem confortável, 

quando como, me pouco recordo, fitando um teto sujo,

mas eu sou feito pro amor, expressivo e destroçador,

aquele mesmo que te tira de manhã cedo bem esperto e te deita não cansado.

Mas eu sou feito pro chão, pisado pelo aborrecimento, pelo não som da sua voz que é carregada de lá pra cá e meia volta.

Bate a porta, tranca a fechadura, ignora o amor.

O mesmo chão daqui é o de lá,

mas chão é chão e nós,

tão esbravejados no silêncio do dia,

permanecemos na trilha de um não sei o quê.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Alguém nunca verá.


 Lamentável a forma como isso é exposto,

em hábitos, em cuspidas, em prosas não revisadas,

mas é isso!

Um dia a gente compreende o que é o dever de cada um,

mas o poder de entender é tão forte em seu escrutínio.

E o sono perde-se, a fome perde-se, o entendimento é transformado,

então tudo forma o bolo de normalidade para que ninguém questione,

ninguém perceba, ninguém entenda, ninguém saia do lugar.

E nós somos os mesmos perdidos e auto destrutivos imorais padrões.

Mas é isso!

Um dia 25


Durante o dia eu esperei...

...e esperei...

Mas a gente sabe o quanto é demorado qualquer coisa.

Eu amei, da forma mais sublime, acho, amei.

Tornei tudo tão real que esqueci de esperar o retorno.

Mas é dia 25, O dia, tão dia quanto a necessidade de vir aqui e dizer que só precisava de algo.

Mas eu tentei não morrer, não desistir.

Eu tenho tantos motivos quanto você não tem.

Amar foi tão impactante quanto a 10 anos atrás,

desregulado com comentários e ausência de atitudes,

então eu descia ao meu inferninho particular.

Algo é mais agradável quanto a expectativa,

quanto a espera ou a ida ao bar.,

mas eu sei que estarei num mesmo funil que me absorve,

vagarosamente em horários alternados às suas respostas.

Eu só estou aqui, enquanto torno tudo seu melhor ambiente,

eu destruo o mais natural ser meu.

Mas eu amei, sei que amei, da forma mais sublime acho, amei.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Insoniado com você


 

Parece que tudo é sobre o arrepio na costela,

sobre aquela sensação de amor retido,

que te faz mal e te prende.

Se era pra ser assim, eu teria feito algo melhor

e talvez acabado no início.

Transformado, nessa especulação atemporal,

na melhor história de amor que poderia haver,

a gente é tão a gente que parou de ser...

os risos tem deboche e não graça,

as alfinetadas não esperam tapinhas precedidos de risos,

mas atingir a imaturidade intermitente.

Já cansei das músicas que preparei para você,

pois você não as ouviu e nem sabe que fazem parte do nosso roteiro.

Você senta perto de mim, teimosa, da forma mais maravilhosa insiste em ficar,

e eu só queria tempo para fumar e perder a cabeça.

Polaridades duplas e um doce sopro que afaga e destrói,

e sabe o motivo disso tudo? Eu sei que não...

Oh, brigado?

 E esse é o cheiro do amor, do meu amor

impregnado no meu guarda-roupas, no meu dia-a-dia,

dentro das músicas matinais,

dos cafés sem horário.
Quando acabam os dias, tudo acaba, 

a gente se beija e fica ali, bem ali,

bem quietos na imensidão do que os olhares transmitem.

Eu sei que isso acaba, que dura, mas intensifica cada vez mais,

porque eu, pecador de passagem, jurei não sei o quê,

só sei que tem você...

como sempre_no amor, no guarda-roupas, no dia-a-dia, segurando nossos cafés.

terça-feira, 13 de julho de 2021

Ah, Não, Amor!


 Você abraçou-me adornando meu pescoço com seus belos braços,

encharcou-me com seu cheiro,

me pediu que não a deixasse nunca.

Ah, que linda voz pedindo-me,

me fazendo jurar o que eu nunca jurei,

obrigando-me a perturbar meu mais puro desejo de auto sabotagem.

Antes de você acordar, saiba que eu dormi na sala,

ouvi músicas bem baixas da playlist que você nunca se prestou a ouvir,

desfrutando das letras que você nunca quis ler e saber o que eu quis dizer.

Olhei fotos dos meus céus,

tatuei a sua raiva e sofri no mais belo som,

respirando vagarosamente antes de permitir que o dia inicie.

Você vê? A prosa que me entrega é a mesma que me despe,

a mesma que me destroça,

que vai me deixar pensar em você da maneira mais delirante,

que vai tirar meu sono e a quietude que você acha que existe,

porque eu a amo, a amo com aquele amor que eu nem sabia que existia fora das páginas engavetadas.

...só não vai ver isso, porque eu já quis mostrar e você nem percebeu.


Meros devaneios


 ...foi quando a gente acordou.

Éramos jovens e eu havia esquecido seu nome,

eu chorei por um momento deitado sobre o chão frio porque eu imaginei o hoje,

uma previsão tão maldosa que...

Eram 100 anos, não eram?
O velho deve ter morrido e não esperou a eternidade dessas palavras.

Eu só queria, dessa vez, errar apenas o necessário.

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Insônia


 Ao mais doce som da confusão que há dentro de mim,

suas palavras ainda são as mais difíceis_talvez nem existam.

Mas para que elas existam_hesitam_andaria duas ruas até me esgotar

dando de ombros, mas me importando o suficiente para não sair no meio da noite e,

da forma mais sorrateira,

te fazer sofrer e aguardar as mensagens mais previsíveis possíveis.

Nem mesmo uma vez você parou,

me olhou e tentou saber quem está ali,

apenas quis retribuir com um pouco do que lhe convém,

como num boneco de corda quebrado

você precisava de muitos estímulos para andar pouco,

porque se eu não me movo, a gente estanca, para, sem acidentes, só o mais ácido dos sons mudos.
Mas ainda há um pouco de qualquer coisa nesse meio termo,

talvez um ou dois, talvez 4 encontros e então a gente desaparece de trás pra frente

e você não seria mais o reflexo de tantos eu's e mim's frustrados, silenciados, infantilizados...


terça-feira, 18 de maio de 2021

Sob você sobre mim

 Vulnerabilizado em virtude de nada, 

o céu de chuva não pertence mais ao mês de março.

Aliviado ao ouvir você dormir ao som da chuva,

eu percebi que não há nada que eu não fizesse por você.

Perdidamente eu subi aos céus e de cima o chão é pequeno e perigoso,

enquanto eu ludibrio a mim mesmo eu só caio na sua frente

com pouca roupa, descalço,

mas você está confortável nos lençóis azuis, vermelhos, grossos e finos,

e eu não sei mais dormir sem pensar em não rejuvenescer.

Vivi o suficiente para saber que não conhecerei todos os tons das cores de cór,

mas tempo o bastante para perceber que você dorme bem

durante a minha própria guerra,

mesmo que ensaie a mesma peça, dentro das mesmas falas, com seu figurino intacto,

e um aspirante a protagonista diferente sazonal.