Olhão nessa página

terça-feira, 12 de julho de 2011

Um pequeno show

Eu andava com ela... que era do tempo da balada. Ouvi-se do outro lado da rua o house que tremia as janelas de madeira. Tinha uma cadelinha que chamava de filha, conversava quando brigava com seus amores incorporados em um homem só. Gostava de viver de contos de fadas, criava situações de filmes, cenas dramáticas que não comoviam, mas satisfaziam.
Ainda lembro de como se incomodava de quando eu não dava a atenção exigida, passava a noite retalhando suas emoções em sites compartilhados, com indiretas cortantes, mas sem me importar com um tal amor, não perdi meus gostos e minhas poses. Eu só queria que estivesse segurando meus pés quando eu me sentasse na cadeira de minha avó, que discutisse comigo quando eu estivesse no auge da embriaguez.
Ainda não entendo como se transforma em minhas inspirações, como ainda me encho com as lembranças dos seus elogios, como ainda sobrevivo de lembranças emborcadas nas doses de tequilas. O cheiro de tempero que suas mãos carregam, me fazem lembrar os almoços que viravam lanche da tarde.
Mas eu estava em cadência e auge, não sabia se parava no meio, era seu homem, depois era menina difícil para o que nem sabia direito o que era e escutava músicas acompanhadas de sorvetes e blusões. Talvez eu fosse você de outro tempo, com menos idade, enquanto você queria entrar na minha pele e sufocar meu ego... ah, como eu queria tanto!
Saindo do meu superego voltei a ser o corpo andrógino que te desprezava e que te beijava o corpo, mas hoje eu nado numa fonte de praça, subo em lugares autorizados, beijo bocas imaginárias, e no fim de tudo, você foi minha melhor razão pelo presente que algum deus não deixou chegar...

Um comentário:

  1. Ter ao nosso lado, em momentos importantes ou até mesmo casuais, uma pessoa que nos apoia e nos coloca pra cima é fundamental, a energia que essa pessoa nos passa nos fortalece nos fortalece e nos ajuda a vencer. Lindo texto!

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