Ao longo de uma semana e alguns dias fui atingido pelo choque visual me atingindo brutalmente dos pés a cabeça. Antes eu era apenas um cara comum de estatura pouco acima da média(1,85mts), esbelto, barbudo e calvo. Mas agora sou duvidosamente um dos homens da sociedade.
Na penúltima segunda feira(11/04/16) sofri um dos, infelizmente, comuns assaltos diários na cidade de Castanhal-PA, onde mesmo com o celular no bolso e salário no outro o 'cidadão de má educação' decidiu almejar minha bela mochila grande e de cor preta por imaginar que haveria um notebook dentro, porém levou apenas meus materiais das escolas onde leciono. Enfim, o intuito desse post aconteceu 1 semana após o assalto_sem mochila, decidi usar a bolsa da minha mulher(foto do post) pra levar tantos materiais(provas, testes, exercícios, cronogramas de aula, livros, canetas, lápis, etc) até o próximo salário onde eu compraria outra mochila.
"Linda sua bolsa, professor!"
"O senhor tem um gosto peculiar!"
"Que bom que tu não tens frescura, Pedro!"
"Essa bolsa é sua ou da sua mulher?"
Alguns dos comentários que ouvi, tirando os olhares desconfiados por parte de todos.
Como professor e paradigma de comportamento ético, mantive minha postura e soltei algumas piadas para descontrair aquele comentário indiretamente acusador.
Ao sair da escola, andando até a parada de ônibus ou indo ao supermercado, grande parte das pessoas me olhava e até imagino: Um homem alto, barbudo estilo lumberjack de bolsa... só pode ser...!
É, eles tinha razão, sou um homem sem rótulos machistas, mas não quis provar usando a bolsa, apenas a usei por necessidade. Mesmo que eu fosse gay, no que influenciaria?
A sociedade geralmente liga para rótulos ou padrões do macho, que de moderno não tem nada. Devemos andar com pés apontando para direções diferentes, coçar as bolas na rua, mijar em becos, arrotar quando der na telha, olhar para os peitos e bundas das mulheres com desejo(oh, yeah!) ou sermos desleixados.
Os padrões menos exagerados que passam despercebidos pelo olhar society: assistir futebol e gostar de discutir sobre, falar do histórico de mulheres e de como nunca falhou na hora H.
Podemos falhar na hora H, sim! É uma natureza do corpo, sendo ou não vantagem, é uma exclusividade masculina. Podemos não gostar de futebol, podemos gostar de basquete, hóquei ou até mesmo esportes que não sejam popularmente confrontados por uma torcida organizada do time oposto. Podemos saber o que é música de verdade, mas também podemos gostar de Tulipa Ruiz, Regina Spektor, The Strokes, Pitty, Luciano Pavarotti ou estilos indies ou seja lá qual estilo(tirando as medíocres músicas vendidas pela mídia controladora).
Somos todos pessoas, não devemos lutar contra o poder do discurso popular/social/tanto faz, devemos lutar contra o que deve ser realmente discutido(o que nunca incluiu gênero, opção sexual, raça). Lutar contra religiões controladoras, falsos representantes religiosos ou parlamentares, corrupção política e empresarial, pela democracia verdadeira, pelo salário compatível com uma vida que dê pra viver e não sobreviver, por uma educação que incentive os alunos, por menos professores encostados em seus peixes ou estado, por uma segurança sem milícia.
A bolsa vai continuar sendo carregada por um sujeito barbudo, calvo e de camisa rosa e quando olharem com estranheza, vou dizer que é um protesto contra o comportamento cultural ou então ligo o botão do...

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