Antigamente eu pensava tanto, escrevia tanto, vivia de paixões adolescentes. Acreditar ou não em relações de amor não era opção, era caminho único, uma viagem tipo anacrônica.

A vontade de inventar uma música, reinventar um texto, sobreviver daquela sensação 'paixonítica'. Era o tempo do rock, e dentro de um álbum com 11 músicas, quase sempre a número 4 era romântica, era essa mesma que eu mandava pra garota da outra fila.
Ainda sinto o cheiro do creme de cabelo que ela usava, descobri o nome depois de 2 anos por acaso, eu já nem estava com ela, mas tinha o sol nas minhas costas, aquele em que ficamos sob no meio-dia de fim de semana.
Houve um tempo tão bom, que tudo era reclamações, eu adorava andar blasfemando por qualquer coisa, andar com raiva, sentar com força_quando minhas costas aguentavam.
A temperatura não era tão escaldante, o verão e inverno não se desrespeitavam em nenhum ano, pois eram apenas os dois que compartilhavam as férias para os melhores sóis e os invernos para as manhãs de aula.
Ah, como eu adorava resmungar de acordar cedo, odiava o café da manhã, mas tomava pra aguentar até o 'recreio'. Acho que até hoje as pessoas adoram ir para escola(fundamental e médio), não pra estudar, mas pra ver aquela galera.
Já devo ter tido vários melhores amigos nesse tempo todo, achei que seriam eternos, mas não foram, só um que foi no meio tempo da minha vida, zela por mim até quando não estou.
Lembro-me de minha primeira namorada, como era sem peito, gordinha, mas era legal viver aquilo. Minha terceira namorada disse amar-me... fui sua decepção mais legal!
Aos meus poucos leitores, com minha meia idade ou mais, sabem o que é viver, cada detalhe que reclamávamos, era o melhor que tínhamos, porque hoje eu realmente tenho do que reclamar, mas ganho em cima disso, rio quando me dá vontade e aproveito o dia até quando posso e garanto.
Não tenho mais alguém que possa completar minha vida como a primeira vez, cantar "Temporal" ao meu ouvido, me fazer chamar sua atenção com teatrinhos juvenis, impressionar com o pouco que sabia de música,alguém que possa me fazer passar uma noite falando em '3 segundos', alguém que possa me fazer viajar sem saber o por quê, alguém que me faça tentar algo que não sei se vai ser, alguém que me faça parar de estar irritado sem motivos e eu ainda tenho marcas, muito boas, que me dizem por onde andei e quanto tempo passei.
Não estipulo nomes, não defino amores, só expresso simples detalhes que realmente são importantes pra uma pequena e finita história de "amor pra 100 anos"...


Não se desfaça mesmo das marcas. Guarde-as. Guarde pra lembrar a pessoa que você foi um dia.
ResponderExcluirLindo texto!