Olhão nessa página

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Leiloada

Quis o corpo alheio,
dormia tarde e acordava mais tarde ainda.
Loira ruim, destruindo-se com o tempo,
despiu-se para os necessitados,
mas chora nos banheiros públicos,
não liga para quem for.
Acha que tudo tem que ser dito?
Que tudo vai ser tão rápido quanto você espera que cheguem ao clímax?
Durma mais um pouco e ao amanhecer estará sufocada
devido sua alto medicação alvoroçada depressiva...

Youngest

Você ainda é jovem, no auge dos seus vinte e alguns poucos anos. 
Vive subindo em árvores com galhos frágeis, 
esfola as pernas e cura com lama. 
Conversa sobre amigos, festas, acontecimentos corriqueiros e sexo.
Vive se queixando por não conseguir o que lhe oferecera alguém e, 
sem menor esforço, fica triste/frustrado. 
Quer alcançar metas sem fazer planos.
Ainda é cedo, bicho grilo, só saiba voltar pra casa. 
Você se perde no tempo entre a bebedeira de alguém e a sua. 
Pensa_”O que eu fiz ontem a noite? Quem dormiu comigo?”
Agora é tarde, estou há duas décadas longe de você, 
sentado num banco esperando a tal linha tênue quebrar bem entre o sucesso e o comodismo.
Seu príncipe está vindo andando, porque andar é romântico e perde-se mais tempo, 
aliás, pra que a pressa, parceiro?
Uma hora os sinos na sua cabeça vão tocar e você vai querer se casar 
e deixar de lembrar que fomos amores, 
que brincávamos de mestre e aprendiz, mas eu... 
eu só reaprendi a parar de olhar pra frente 
e conjurar pensamentos excitantes antes de dormir num calor infernal.
Meus tênis sujo está “ensacolado” próximo aos quadros que pintei escutando Luciano Pavarotti...

Vai seguindo, cara, 
o caminho é mais fácil pra você, 
enquanto sua virilidade sabe o que vai controlar...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Seu som

A amo como o mito ama a crença;
Como deus ama o pecador;
Como a música ama a partitura;
Como a vida ama a experiência;
Como os truques amam a visão;
Como ama o amor...
Como amo sua beleza, 
seu andar,
seu falar,
seu amar...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Sem mais promessas

Nada de romances nessa tarde calorenta...
Não conseguirei fazer-te feliz como prometido, 
te farei chorar as vezes, mas não de alegria.


Precisamos sofrer, saber que essa dualidade nos persegue,
que estaremos fortalecidos para as situações diversas.
Você chorará quando eu não puder estar com você,
esperneará quando eu não te escutar,
quando eu não te entender,
quando eu ciumar,
mas sabe, amor...
não é a maldade que prevalece,
são meus caprichos azucrinantes
tentando sobrepor o amor.
Já estamos em meados de Janeiro
e durante o ano amargurarei a mim mesmo,
tentando levantar seu astral.
Seu ar é mais pesado que o meu,
suas mãos estão no meu ombro e as minhas na sua cintura
porque dessa vez eu deixei de lado
e decidi te ver...
Mas já é tarde, amor, e eu não dormirei aqui essa noite,
preciso tomar uns drinks próximo de casa
com uns amigos que não tem nada a perder além do tempo.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A simple post

Passos descompassados em quase tropeços do chão nos nossos pés, 
nossas mãos molhadas de suor e a noite prevalece fria.

Bate à porta na manhã seguinte, pois os céus mantém nossa fé,
mantém uma simples coragem de estar próximo do seu ar,
falar amores no espaço
 de beijos e respirações ofegantes.


Viver a história que mantém-se presa na esquizofrenia do meu romancismo,
eu alago seu chão com tantas palavras afetuosas,
mas ainda falta algo...

ou nada... sua vontade de nós.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Monossílaba(Se)


E se eu ciumar de você? 
Possuir suas imagens e querer tê-la só pra mim?
E se eu ficar de guarda em frente aos seus frequentes lugares?
E quando eu não for mais coerente? 
Ficar jogado em qualquer lugar vendo o ano passar “voando” 
e ainda ouvir as paranóias que eu mesmo cogito?
E se for amor? 
E se for alucinação?
Paro com os entorpecentes? 
E por que devo parar de usar ‘à’ crase?
São desejos e prosas divergentes. 
Caminhos bem finitos, em horizontes verticais, 
prédios e árvores também. 
Orgulho de benzer sua mão, 
tocar seus cabelos e me embriagar nos nós cheirosos que ficam do vento. 
Tomar água do rio por ser cristalina 
e transformar todas as neologias em verbos 
e os verbos intocáveis nos seus infinitivos.

Então... 
gritando em sussurro o quanto esse romance comigo mesmo reflete na imagem que criei de você, 
você apenas se levanta, 
esperneia e me diz que vamos orar pequenos pedidos para o nosso ano que ‘Amar-te-ei...’

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Lá ela...

Esperamos-nos tempo demais. 
Queremos enrolar o tempo o máximo possível 
e permanecer nesse intervalo entre o que está acontecendo 
e o que pretendemos porque você chegou!
Como você é linda, em todas as suas formas mais fanáticas de me despistar. 
Com tantos tipos de cabelo, de rostos, 
você é simplesmente o que você é, 
linda porque é e está aqui.
Que não clareie às 8 da manhã, pelas frestas da janela amadeirada. 
Que esse mesmo tempo, mesmo desenrolado, fique... 
Porque agora, amor, 
não preciso mais de trilhas sonoras pra fluir todo aquele sentimentalismo. 
Você está aqui!
Seco sob o tempo que oscila, 
eu sacrifiquei a razão e as utopias para arriscar que você estaria aqui, 
bem do jeito que está. E você finalmente está.
Tão cheia de vida, da minha. 
Tão doce em sua voz. 
Tão astuta em me convencer.
E agora, sem me ver, decide por mim onde vou parar e com aquele beijo,
simplesmente aperta minha mão 
e me diz que meus olhos são bonitos.

Meu amor, os seus são... 
Porque são seus!