Olhão nessa página

sábado, 24 de setembro de 2011

"avoado!"

Delimita-se no vendo, naquele que sopra toda manhã, o que derruba orvalhos, o que imita os outros dias. Alguém toca violino na casa de varanda, alguém lê um livro no andar de cima, alguém corre num campo de flores e outro alguém blasfema por derramar tinta no carpete.
O outono não chegou no dia previsto, aflora meu sentido, aguça meu oposto, indecifrado eu ainda corro na direção da correnteza e o fim eu não sei, meu barco ainda está entre um horizonte e outro.
Espere e molhe o rosto, a tarde chega e a calmaria é suspirada entre uma folha e graveto que cai no vão que o vento deixa, mas veja, uma brisa passou por mim, nenhuma nuvem no céu se insinua e o mau tempo se foi prostrado.
"Oxalá!", ouvi ou vi um desejo forte passar, mas o deus do moribundo está ocupado demais, ele já tem um lugar 'espacial' para deleitar.
Saque suas palavras, elas estão guardadas nas suas entranhas há bastante tempo, grite-as, deixe-as xingar e terem prazer, pois a noite está chegando e o vento manipulará galhos para assombrar-te arranhando sua janela e sabe... a lareira apagou, deite-se e abrace a emoção natural!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Eventualmente sua vida!



A casa tem mais silêncio do que de costume, os choros são escondidos e há um vago nos espaços que antes eram ocupados.
Olhei para a cadeira que fica na cabeceira da mesa da cozinha, senti um afago antigo com o vento que atravessou-me...
Não chore essa noite, minha mãe, ele descansará sua vida vivida ao seu lado, deixará suas mãos grossas ao lado da sua cama e te ouvirá como sempre. O Pai de todos, na linha natural de seu altruísmo, alimentou-se sozinho das dificuldades e nos apresentou o paraíso.
Como dizia sempre, tudo o que fazemos paira nos mesmos lugares, nada se perde. Somos uma conexão de possibilidades quase que impossíveis.
Pendure a chave na calça, amarre os cadarços dos sapatos novos, vista sua melhor camisa, faça a barba, corte o cabelo e haja como sempre fez. Chegue em casa, abençoe cada filho, sente em frente ao computador e faça sua vida dividida em cada minuto da sua arte. Assista TV, torça, grite e depois descanse, mas, por favor, acorde pela manhã...

domingo, 11 de setembro de 2011

Foco

Tentado a sucumbir ao meu desejo.
Senti o mal de perto, tocando minha garganta dizendo coisas obscenas.
Perdido nesse metro quadrado, projetando a malícia estrutural. Ignorei o princípio dos meus novos princípios, alienei o carnal ao impiedoso mentor que carrego.
O lugar não representa mais, tanto quanto antes, a jovialidade. A lembrança impregnou nos meus braços cansados e agora eu sei a sua dor, mas ainda não sei se continuarei a ser fortalecido por tudo isso...
Os sonetos tocam mais fortes,
eu tento crescer,
mas o vento empurra o mar e o que calou,
espiritual ser amamentando alheias virilidades.
Intervalos entre um passo e uma batida de 7 de setembro marcial,
nossas mãos tremem, percepções pessimistas entram no auge,
choro de criança não emociona,
ninguém se olhe com paixão,
o amor é demonstrado até a hora do clímax.
A dúvida é facilmente disfarçada e o tempo nos engana,
enquanto poderia ser o que é lógico,
um plano te tira o chão e de repente... você caí em velocidade infinita constante.

Aventureiro de quarto nos céus

Sentado em algum mesmo lugar onde você costumava pensar, sentindo cada detalhe dessa amarga dor, tento imaginar de olhos abertos você em seu cotidiano_andando de um lado ao outro, com afazeres transformados em anedotas com muita facilidade.
Meu pai... as suas músicas ainda tocam, o mundo não parou e isso me fez não ter o tempo que você também não tinha. Mesmo assim, à noite você me beijava a cabeça, me abençoava e desejava um "Boa noite, filhão".
Grande parte de mim foi com você, desejo deitar na terra com o corpo frio e ter essas lembranças todas que as pessoas destacam, mas você, meu herói, me ensinou a ser bom e levo comigo... junto com seu nome desenhado na nossa semelhança.